A Noite do Adeus

Kiss

Só queria me divertir!
Sair, dançar, beber com amigos, encontrar meus colegas..
Parei frente a porta, ansiosa, a noite seria inesquecível, não apenas para mim, não simplesmente àqueles que lá estavam esperando para entrar.
O som era alto, as luzes espalhadas, pessoas espalhadas, sorrindo, pulando felizes.
Buscamos bebidas, os meninos estavam empolgados, ríamos sem parar.
Esquecidos das aulas, professores e problemas, vivíamos a adrenalina que somente a noite sabe oferecer.
Virei para a banda, vi fogos e faíscas, ouvi alguém gemer bem a frente do palco, todos agora lançavam olhares para mesma direção que os meus: o teto. Ele pingava fogo, o estrago estava feito.
A nuvem negra e amaldiçoada começou a formar-se em nosso céu tornando-se nosso inferno, ainda longe, porém, cada vez maior, cada vez mais próxima.
A música parou e meus ouvidos detectaram gritos, nomes sendo convocados, um empurrão. Corri.
Meus amigos não sabia onde estavam, os meninos correram para o banheiro, voltem! A saída não é por aí, voltem por favor!!! Pavor.
Outro empurrão e vários deles, avalanche de pessoas, quedas terríveis aos meus pés, tentei correr mas a pressão de corpos atucanados me impediam, deixei a bolsa, tentei buscar o celular enquanto tentava em vão me desvencilhar do caos, disquei para minha amiga que já não atendia mais, teria perdido seu aparelho? Era a melhor das hipóteses a se pensar.
Pisei em algo que não deveria, já não enxergava mais, estava tudo tão escuro, os gritos ecoando, a tosse escarrada, caí. Arrastei-me um pouco e segurando-me em algum lugar não identificável, levantei e continuei minha jornada sem direção, a onda de corpos me levava, entretanto, a luz da porta de entrada não estava em meu campo de visão, senti que cairia novamente, pensei em desistir e esperar que me socorressem, mas o pânico descartou esta opção, meus passos pareciam mais lentos, o ar estava intragável, de olhos já fechados tateava o caminho sem saber se chegaria à saída.
Enfim caí novamente, sem forças tentei continuar, mas era tarde demais, tossi, o ar me faltava, uma menina chorava ao meu lado, outro rapaz adiante tentava teclar algo em seu celular e eu.. eu estava tonta.
Fechei os olhos e tentei pensar no que acabara de acontecer, como poderia há pouco tempo atrás, naquele mesmo local estar tão feliz e saudável e agora, deitada no chão quase sem vida?
Sem vida.. pais, irmãos, amigos, faculdade, futuro! Todos deixados, abandonados prematuramente, fechei os olhos e chorei também, talvez uma única lágrima, não sei dizer, mas ela doía mais que o restante do corpo.
Meu adeus calado e escondido daqueles que ficaram.

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5 comentários em “A Noite do Adeus

  1. Puta merda guria… Tu escreve muiiiiiiiiiiiiiiiito! Parece que estava lá. Minha musa e meu orgulho!!! Saudadeeeeeeeeeeees :(((

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