Saudade do que não Preciso

ECadaVersoMeuSeráNão preciso vê-lo todos os dias para sentí-lo próximo à mim, não preciso tocar teu rosto para sentir tua pele macia, nem beijar teus lábios para te sentir meu.
Não preciso tê-lo ao meu lado para saber que te amo, nem ao menos ouvir tua voz para lembrar o quão doces são as palavras que me dizes.
Precisarei de anos para te esquecer e quando isto acontecer, vou querer vê-lo novamente e relembrar aquilo que deixei para trás.
Se te perder por um único dia, não será pela distância entre nós, pela falta de carinho ou por brigas, se te perder, será porque quisestes.
Sinto a saudade do amor que temos, te sinto dentro de mim e procuro na noite o som da tua respiração, aguço os ouvidos e ouço as batidas ligeiras do teu coração quando juntos estamos.
Cada vez que te vejo afastar-se, meu peito esforça-se para não doer (em vão), não há um dia que eu não queria estar contigo, não preciso tê-lo para saber que te quero, nem preciso esquecê-lo para saber que um dia te amei.
Devo ser forte para me impedir de correr para os teus braços, manter meu singelo sentimento somente dentro de mim, não preciso gritar para que todos ouçam o quanto te desejo, meu olhar entrega.
Não me deixa ir embora enquanto me amas, enquanto desejas que sejamos únicos, por menos próximos que estejamos, contigo sou somente sorrisos.                                              Não preciso segurar tua mão para saber que jamais deixarei de te tê-lo.

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Leve no Barco

theboat

 

Sobe nesse barco e vamos navegar, vamos assistir aos pássaros e arrastar as mãos na superfície da água calma e gelada, deitar ao sol e repirar fundo o aroma da brisa, cansar de rir dos peixes passando entre nossos pés, vamos esperar que o sol se ponha e tentar ouvir o barulho que faz ao encostar no horizonte. Leva contigo teus medos e aflições, iremos despejá-los nas águas e absorver apenas a paz que ela nos trás.

Sobe nesse barco e vamos em direção ao infinito, deixa que o tempo navega por nós.

O Tapete

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Buscava entender as palavras do autor, procurava nas entrelinhas o significado daquelas frases dispersas, tentava conter o sorriso ao lembrar.
Voltou à sala onde suas pernas tremiam de prazer enquanto as mãos ganhavam vida própria…
O autor tomado de energia libertina, cantarolava poesias e tornava mais complicado seu entendimento.
Ela pousava sobre seu peito movimentando-se, tornando incapaz que se mexesse, deixando imóvel, ali, em êxtase.
Cada ponto parecia mais demorado que o outro, o parágrafo se estendia como um destino de viagem que não chega nunca.
Ouvia a respiração ofegante, cabelos caindo sobre os olhos que penetravam tão profundamente.
Fechou o livro. A amava. Deixou o autor descansar.
Desejava profundamente seu corpo a todo momento. A capa não lhe dizia muita coisa..
Observou o além suspirando.
Voltou a encarar o autor, mas seus pensamentos continuavam no tapete da sala.

Libertad!

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Ah! Eu quero sair, quero o sol que está tapado pela cortina, quero o dia que estou perdendo, a vida que perco todo tempo. Chega de falatório, o café já não me adianta mais, a voz desconhecida falando alto ao público e menos da metade presta atenção, não sei se pelo horário ou a comum paixão (ou vício) pela tecnologia. Eu presto atenção no sol.
A sala é fria e escura e slides são sinônimos de monotonia. Tédio coletivo.
Meus cabelos brilham mais e meu rosto está quente, o assento confortável me agonia, tão bom que  transformo-o em cama e durmo em estado de alerta. A voz está longe agora e minha orelha esfria na parede branca até o silêncio momentâneo me despertar, estava quase me aprofundando em meus sonhos.
Abro outro canto da cortina, não há quase ninguém na rua, estamos todos presos, sufocados pela luz artificial.
Cochichos! Se fosse eu apontando slides, não me importaria que dormissem, mas os cochichos…
Gostaria de levantar agora, espreguiçar-me e talvez comer um pedaço de morango, mesmo que fora de estação.
Um pé balança, uma mão segura um copo de café, unhas são roídas, uma garrafa d’água é aberta, uma barba é coçada, os cochichos continuam.
Me gusta la libertad! A voz desconhecida já tornou-se amigável e isso me assuta, se não posso sair, tenho que me contentar com o assento confortável?
Na verdade posso ir embora, mas respeito, o sol sairá amanhã e amanhã é sábado! E olho os slides, o assunto é interessante, quero conhecê-lo e presto atenção, mas a vontade de estar lá fora.. ah, essa vontade  é maior que tudo.

NOSSA VEZ!!

desordem&protesto

Sempre disse que queria ter nascido na época dos meus pais ou dos meus avós até.. época onde as pessoas lutavam
por seus direitos, época em que a sociedade ao menos tentava dar um BASTA ao abuso governamental, à ditadura, ao
absurdo com que o povo brasileiro foi e é até hoje tratado.
Sempre tive vontade de sair às ruas, pintar o rosto, os braços, carregar cartazes, bandeiras, me erguer frente à
todos, CAMINHANDO E CANTANDO, como disse Geraldo Vandré, VAI CONTRA! LUTA! EXIGE TEU DIREITO! Quero gritar!
Estou orgulhosa de finalmente ter chego minha vez, minha geração saindo de casa, lutando para conquistar o que já
é nosso, exigindo respeito e ação, nada como estufar o peito e dizer “EU FAÇO PARTE DESSE PROTESTO”, pois EU faço
parte e bato palma àqueles que junto comigo protestam.
Foi ontem, será HOJE e amanhã também, vamos lutar e mostrar que o Brasil é mais que o país do futebol, é um país
que quer CRESCER!

O Tal do Giz

O_Tal_do_Giz_post_22052013

 

Me dá um giz de cera e me deixa rabiscar nessa tua vida!
Contamos uma por uma as vezes que alegramos nossos dias com pequenos gestos.
Me deixa desenhar um coração no teu peito e mais dez pelo teu trajeto.
Risquei no muro que tem nos separado: nossos nomes registrados lado a lado,
prontos para ser deixados ou rasgados, tanto faz se o muro for derrubado.
Não guarde pedaços de pedra, guarde nossa união.
Substituí o “pare” por um “care” na placa da esquina e um pequeno Girassol na parada foi deixado.
O giz transforma a cidade cinza, não é vandalismo, só uma eficiente forma de demonstrar que não estás só.
Existe alguém pronto para colorir teu dia, mesmo que a chuva lave cada risco, sempre haverá um abrigo onde a felicidade está protegida.

Correndo a Favor do Tempo

Relógio

Corro o tempo todo, alucinada com deveres e elaborando irritantes estratégias, vivendo na pressão que  faço a mim mesma, torturando-me com regras inexistentes.

O que há de ser feito senão acalmar minha alma e pedir inconscientemente que meus pensamentos descansem? Entretanto, se dormir, o tempo será perdido, as tarefas agendadas adiadas, o caos, a confusão ao perder o controle.

Mantenho nos trilhos a vida à minha maneira, com agenda debaixo do braço e o celular no bolso. Meço palavras e conto os degraus da escada, acordo a tempo de organizar as ideias antes do dia começar.

Essa pressão cotidiana regada a energético e café ainda pode me fazer mal e descarrego então a energia sobre a bicicleta, mas o relógio está no pulso. E o relógio apressa o pedalar.

Aula, trabalho, trabalhos de aula e apresendizado profissional. Família, amigos, namoro, colegas, prioridades, tópicos, listas, … Tornei-me mais um fantasma da minha geração à procura de estabilidade e internamente instável.

Precisava livrar-me das algemas!

Dediquei-me à escrever, esqueci tantas regras, abandonei as preocupações e me encontrei observando a roda de capoeira, o beija-flor batendo velozmente as asas e o mundo que existe ao meu redor.