O Tapete

carpet

Buscava entender as palavras do autor, procurava nas entrelinhas o significado daquelas frases dispersas, tentava conter o sorriso ao lembrar.
Voltou à sala onde suas pernas tremiam de prazer enquanto as mãos ganhavam vida própria…
O autor tomado de energia libertina, cantarolava poesias e tornava mais complicado seu entendimento.
Ela pousava sobre seu peito movimentando-se, tornando incapaz que se mexesse, deixando imóvel, ali, em êxtase.
Cada ponto parecia mais demorado que o outro, o parágrafo se estendia como um destino de viagem que não chega nunca.
Ouvia a respiração ofegante, cabelos caindo sobre os olhos que penetravam tão profundamente.
Fechou o livro. A amava. Deixou o autor descansar.
Desejava profundamente seu corpo a todo momento. A capa não lhe dizia muita coisa..
Observou o além suspirando.
Voltou a encarar o autor, mas seus pensamentos continuavam no tapete da sala.

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Ao cair, levantar.

Procuro razões para tanta confusão, motivos que me fazem passar por esta situação (rima pobre e necessária). São tantas histórias mal resolvidas, tantos caminhos diferentes..
São escolhas diferentes, pessoas diferentes e mirando meu reflexo no espelho do banheiro percebo o quanto envelheci. O sorriso juvenil e expressão infantil já não transparecem. Surge a dúvida: “quando será meu fim?”
Todos os problemas superados hoje não são amedrontadores como no passado, do mesmo modo que os atuais não poderão ser comparados aos futuros. E assim passeio pelo quarto procurando soluções e refúgios.
Acreditar na vitória antes de partir para guerra. Ao cair, levantar, e caindo novamente, limpar os joelhos e seguir em frente.
O que é o problema senão a complicação do meu querer? E complicando mais com minhas idéias pessimistas, mais difícil há de se tornar.
As confusões se resolvem assim que focalizo suas razões. E a principal razão é sempre a necessária para evolução e maturidade.
Problemas não existem mais. Detectado, reconhecido, vivido e superado.