Transtorno

As lágrimas escorriam dos seus olhos constantemente. A dor ela mesma criara, era uma rachadura no peito, um gosto amargo na boca. Tremia e tinha ânsias.
Buscava onde doía e como se tivesse garras, tentava arrancar.
Olhar perturbador e a menção de um sorriso doentio, era com o queixo apontado para os pés que todos a viam andar.Suas qualidades de nada valiam, suas atitudes constrangedoras a colocaram no mais baixo nível da raça humana. Já não era ninguém, já não sabia quem era.
Substituiu as músicas alegres do ipod por monstruosidades expressadas com melodias.
Crimes nos jornais não a abalavam pois havia cometido o pior de todos: acabara com duas vidas.
Dormir era um sonho e sonhar era um pesadelo. Não descansava mais, pois mentalmente estava sempre trabalhando, procurando maneiras de obter novamente sua vida e infelizmente não as encontraria, sua vida acabara no momento em que ela se fora.
De cabeça baixa na rua movimentada depara-se com o que havia perdido e desabando entregue a soluços, busca palavras que não saem da sua boca. 
Precisava daquele abraço que jamais teria novamente. Tentou respirar fundo e o ar lhe faltou.
Abanou de modo infantil, como faz quando está em casa. Sentia- se em casa ao lado daquela pessoa que tão bem lhe fazia e que tinha deixado partir.
Era merecido o sofrimento, a causa era justa.
Subiu na condução rezando para que tivesse sido real e olhando através do vidro, desligou- se novamente do mundo.