Encontro esperado

Aqueles minutos não passavam. Incansáveis, incontáveis. Como grãos de areia em uma ampulheta. Queria vê-la, tocá-la, sentir novamente  o cheiro delicado de seus cabelos.
Irritava-se cada vez que olhava o relógio, então decidia não mais olhar, mas não conseguia e lá ia irritar-se novamente.
Não faziam muitos dias que a tinha visto, entretanto, cada hora era eterna longe dela. Tão inversamente proporcional com relação ao tempo em que ela encontrava-se em seus braços. Parecia constantemente em preocupação, pensava em milhares de hipóteses que poderiam acabar com seus planos, ainda assim, a esperança era maior e a saudade imensurável.
Escrevia e treinava o que dizer, mas ao deparar-se com aquele olhar, perdia os sentidos e esquecia tudo. E na tentativa frustrante de lembrar, gaguejava enquanto sua voz aos poucos desaparecia.
O dia lentamente passara e finalmente chegara a hora. Nada mais importava, ninguém mais existia. Ia encontrá-la.

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