Pra que ligar?

Não, ele não faz parte de mim.
Achei que precisasse ainda dos afagos, dos beijos carinhosos, mas não! Não preciso dele, não preciso das lembranças e finalmente, não preciso chorar.
Popularmente dizendo, “a ficha caiu” e assim sendo, pra que ligar? Seus atos e palavras já não me atingem, por maior que tenha sido a demora, finalmente este é o dia de deixá-lo partir. Não foi programado, são quatro da tarde e ainda tenho muito sol pra me aquecer. Sinto um alívio no peito e a cabeça com espaço para novos pensamentos. No coração talvez não ainda.. mas quem se importa? Estar livre é o bastante.
Hoje me libertei e te libertei de mim, não “pra sempre”, porque quem haverá de saber o que é pra sempre? A dureza do teu ‘eu’ foi nosso basta e a partir de agora sou eu quem decide como será nossa relação. Pois minha decisão é que não há mais relação alguma, nem reação pras tuas ações, nem emoção nenhuma.
Nossos laços estão desatados e nossas lembranças junto as demais. És uma lembrança apenas, talvez a melhor delas, entretanto, apenas passado.

Pessoas

Gosto das pessoas pelo que elas me proporcionam. O cheiro misturado de desodorante perfumado, creme para pele e perfume, os cabelos encaracolados, lisos ou alisados, raspados ou compridos. O sorriso infantil quanto estão contentes, a tristeza que transparecem no olhar, as palavras sem sentido e o modo como são diferentes quando estão entre amigos. O suor na palma das mãos quando estão nervosas, a batida de ansiosidade do pé e o estalar de dedos, a luta contra o sono e a falta de energia às segundas feiras pela manhã. Manias que acham que somente elas tem, os gostos que não acreditam que outros possam ter.

E com tantas coisas a observar, o que mais me chama atenção são suas histórias, aventuras e desventuras. Há aquelas que se apaixonaram por uma pessoa apenas, os que não se apaixonaram nunca e aqueles que se apaixonam por alguém diferente todo mês. As que têm a família unida, as que mal falam com os pais e as que nem sabem quem são. Algumas possuem filhos que muito desejaram, outras por descuido e ainda aquelas que os desejam, que sonham e as que não poderão ter por si. As que optam pela adoção e as que vão evitar o máximo simplesmente por não querer. E com essas histórias de amores, decepções, brigas, alternâncias de humor, perda de oportunidades, alegrias, conquistas e sonhos, aprendo. Sigo exemplos, analiso as situações, crio conclusões e teorias. As pessoas, todas elas, nos ensinam algo, querendo ou não. Ao compartilhar suas experiências, elas me fazem crescer.