Deixa Pra Lá… (Vamos embora)

deixapralá

Para e deixa pra lá…
Os meus erros que te frustraram, tuas atitudes que me magoaram, tantas brigas e desentendimentos, deixa pra lá..
Esquece esse pedaço inútil de sentimentos misturados, de angústia e pesar, esquece e me dá um beijo daqueles que só a gente sabe como é.
Vamos deixar escondidas as tristezas da nossa vida, deixar que o tempo as encaixe naquele baú que jamais vamos abrir novamente.
Me abraça e escuta minha respiração alterada quando tu estás comigo, minha preocupação infinita de te fazer feliz, olha o sorriso involuntário que surge no teu rosto.
Deixa pra lá essa história de me deixar, não precisamos fingir que não vamos sofrer, presta atenção no que somos e quem queremos ser. Nos queremos, então, deixa..
Tira da cabeça o que te entristece e vem ser feliz comigo, é comigo que tu queres estar e é nossa agora a vida que vivemos, faremos o que quiseres! Se queres fugir, pega tuas malas e vamos embora, não me importo, desde que estejas ao meu lado. Olha nos meus olhos, me perdoa se te fiz chorar, tu és tudo que quero, então, só deixar pra lá…

Tragédia fora do script

Saiu desnorteado de casa, pegou as chaves do bolso e dirigiu sem rumo. Acelerava nos momentos de raiva e sentia atração pelas curvas que mais indicavam sinal de perigo.
Parou em frente a casa dela, longe das câmeras de segurança e fora da vista dos cães que sempre alertavam aos moradores sua chegada. Pensou em buzinar para chamar atenção mas sabia que todos o veriam, exceto ela, que estava trancada em seu quarto. Ligou centenas de vezes e não obteve sucesso, desde quando ela não o atendia? As mensagens também não eram respondidas e as redes sociais estavam abandonadas a mais de 24hs. Estavam sem contato um com o outro. Será que o sonho que tivera aquela semana significava algo? Não brigavam mais, agora tinham outras preocupações e a principal delas: ficarem juntos.
Todos estavam dispostos a mantê-los separados, por um lado, pelas atitudes dele, por outro, sua mãe não a aceitava. As famílias não se odiavam, então a relação ‘shakesperiana’ estava fora de cogitação. Precisavam encontrar uma saída e qual seria essa senão fugir? Com a fronte apertando o volante, ria descontroladamente da ridícula situação, até cair em prantos. Em que século estavam afinal? As coisas deveriam ser mais simples, as histórias de amor não deveriam terminar em tragédias nem haver empecilhos para felicidade de qualquer casal.
Com ambas as mãos prestes a apertar a buzina, ouviu o som do portão e rapidamente abriu a porta para que ela entrasse no carro.                                        Saíram dali. Pararam frente a uma praça para decidirem juntos seu destino. No momento não tinham condições de manterem-se sozinhos em outra cidade, porém ficar onde estavam parecia impossível. Em contra partida, a relação que criaram era forte demais, assim como a vontade de estarem um com o outro. Abraçaram-se e choraram por longos minutos, tudo parecia perdido. Ele  não estava disposto a desistir e apesar do cansaço físico e mental da garota, ela também não ia fazê-lo.
Continuaram abraçados buscando dentro um do outro caminhos que os levassem à vida tranquila e feliz que tanto sonhavam. Decidiram que ela deveria voltar para casa e apesar da solução definitiva não vir a tona, sabiam que a encontrariam logo sólido. Estacionando na esquina da casa dela, ele prometeu estar sempre ao seu lado e ela tinha certeza que podia acreditar. Abrindo o portão de casa respirou fundo e entrou enquanto ele ligava o motor e partia enviando-lhe beijos através do ar.
A caminho de casa, sem prestar atenção no trânsito, perdeu-se em uma das curvas que tanto lhe hipnotizavam. Fechou os olhos e pensou nela implorando a Deus que Ele a fizesse feliz. E o destino que de forma inusitada os uniu, enfim os separou. Seus sonhos viraram chamas e eles nunca mais se encontraram.