Um Gênio Solitário

Um gênio sem pensamentos superiores deixa de ser um, torna-se só mais um em meio a sociedade, um pobre coitado sem nada diferente a oferecer.
O escritor sentado, olhar vago buscando inspiração. O álcool lhe tira o sono, não sabe exatamente o que fazer, busca palavras que indiquem seu desânimo e mais desanimado fica por não encontrá-las.
Deslocado, parado em um de seus lugares favoritos, tenta lembra-se daquilo que já foi tema de suas histórias, mas tudo já foi dito, não há mais o que escrever.
O frio parece congelar suas ideias, onde estão os raios de sol que aqui costumavam descansar?
Mais um gole, outra tragada e ainda a mesma incompatibilidade entre o papel e a caneta, deveras, perdeu a principal fonte de seus textos atuais.
Triste, olha para os pés e a recordação de uma dança lhe vem, submete-se ao passado, quase presente, precisa mais. Acende outro cigarro, torna-se pomposo em sua pose solitária, quase irritado consigo mesmo.
Onde estaria agora se não tivesse esse dom? Talvez afundado em incógnitas, visualizando um futuro que jamais chegaria, enlouquecido pela falta de expressão. Esta é sua realidade agora, um gênio sem gênio algum, como tantos, a maioria, apenas um ser comum.
A música o acompanha, confundindo seus pesares, pequenos trechos que jamais saberia de onde vieram. Queria tê-los escrito.
Acabaram seus cigarros, também o álcool e a vontade de escrever. “Chega de histórias elaboradas” – pensou. Foi buscar de volta sua inspiração.

Obrigação

Estou sem inspiração.
Sem vontade de escrever, sem vontade de sorrir.
Cadê minha alegria? Perdida no tempo, jogada no espaço, o espaço deixado entre tu e eu, indefinido.
Não sei se devo chamá-lo de buraco ou de vazio, seja lá o que for, é a distância que nos aproxima cada vez mais de tudo que não pode nos unir novamente.
Escrever virou obrigação.
Disfarço o desespero com sorrisos forçados e compromissos nos quais não vou comparecer.
Vou descansar os pensamentos e buscar um modo de esconder as olheiras.