Libertad!

looking_by_the_window_22072013

Ah! Eu quero sair, quero o sol que está tapado pela cortina, quero o dia que estou perdendo, a vida que perco todo tempo. Chega de falatório, o café já não me adianta mais, a voz desconhecida falando alto ao público e menos da metade presta atenção, não sei se pelo horário ou a comum paixão (ou vício) pela tecnologia. Eu presto atenção no sol.
A sala é fria e escura e slides são sinônimos de monotonia. Tédio coletivo.
Meus cabelos brilham mais e meu rosto está quente, o assento confortável me agonia, tão bom que  transformo-o em cama e durmo em estado de alerta. A voz está longe agora e minha orelha esfria na parede branca até o silêncio momentâneo me despertar, estava quase me aprofundando em meus sonhos.
Abro outro canto da cortina, não há quase ninguém na rua, estamos todos presos, sufocados pela luz artificial.
Cochichos! Se fosse eu apontando slides, não me importaria que dormissem, mas os cochichos…
Gostaria de levantar agora, espreguiçar-me e talvez comer um pedaço de morango, mesmo que fora de estação.
Um pé balança, uma mão segura um copo de café, unhas são roídas, uma garrafa d’água é aberta, uma barba é coçada, os cochichos continuam.
Me gusta la libertad! A voz desconhecida já tornou-se amigável e isso me assuta, se não posso sair, tenho que me contentar com o assento confortável?
Na verdade posso ir embora, mas respeito, o sol sairá amanhã e amanhã é sábado! E olho os slides, o assunto é interessante, quero conhecê-lo e presto atenção, mas a vontade de estar lá fora.. ah, essa vontade  é maior que tudo.

Pra que ligar?

Não, ele não faz parte de mim.
Achei que precisasse ainda dos afagos, dos beijos carinhosos, mas não! Não preciso dele, não preciso das lembranças e finalmente, não preciso chorar.
Popularmente dizendo, “a ficha caiu” e assim sendo, pra que ligar? Seus atos e palavras já não me atingem, por maior que tenha sido a demora, finalmente este é o dia de deixá-lo partir. Não foi programado, são quatro da tarde e ainda tenho muito sol pra me aquecer. Sinto um alívio no peito e a cabeça com espaço para novos pensamentos. No coração talvez não ainda.. mas quem se importa? Estar livre é o bastante.
Hoje me libertei e te libertei de mim, não “pra sempre”, porque quem haverá de saber o que é pra sempre? A dureza do teu ‘eu’ foi nosso basta e a partir de agora sou eu quem decide como será nossa relação. Pois minha decisão é que não há mais relação alguma, nem reação pras tuas ações, nem emoção nenhuma.
Nossos laços estão desatados e nossas lembranças junto as demais. És uma lembrança apenas, talvez a melhor delas, entretanto, apenas passado.