Conturbações Alucinógenas

Talvez fosse mais fácil perdoar quem não amas, talvez a alegria maior seja exatamente aquela que não é possível viver e talvez, só talvez, consiga sobreviver.

Vivi vidas passadas e ingeri alucinógenos, transformei meu corpo em escudo e petrifiquei meu coração, não intencionei quaisquer envolvimentos com as pessoas a quem me dispus, não sonhei além da realidade.

A cada perda, um novo conhecimento e mais rígido tornou-se o escudo. Menti para mim mesma que era capaz de acreditar em um amor que nunca existiu. Perda de tempo. E no brilho de um único olhar, relembrei todas as coisas que aos poucos fui afastando da minha vida. Não precisava mais mentir, era real, verdadeiro e intenso.

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Ela não vai aparecer. Sabe-se lá o que faz ou pensa neste momento, mas não vai aparecer. Perdida num caminho que leva e trás recordações, enlouqueço nas minhas alucinações exorbitantes. Procuro a fuga, mas há algum modo de livrar-se dos próprios pensamentos? Estou presa dentro de mim, uma piada.

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O que estou esperando afinal? Viro para trás cada vez que seco os olhos, meus lábios racharam com o salgado das lágrimas e meus suspiros tropeçam uns nos outros buscando desesperados um pouco de ar para meus pulmões. O sol queima meu rosto, mas é extremamente frio dentro de mim. E não paro de procurar, terei pesadelos esta noite. Incessantemente busco em vão teu olhar entre tantos que me miram. Enquanto os minutos se arrastam, a esperança aos poucos vai embora. Vencida pelo fracasso, sem forças já, olho para trás uma e outra vez mais dando adeus à quem nunca apareceu.

Fim de Tudo

Ela tenta sobreviver ainda cheia de machucados e cicatrizes, ensanguentada e sozinha. Os pesadelos ainda a perturbam, assim como o frio sereno que pairava sobre seus pensamentos.

Dia após dia negava seus desejos procurando dessa forma afastar tudo que lhe fazia mal, mas as feridas todas ainda não estavam fechadas e insistiam em doer. E doíam ainda mais quando sua maldita esperança a forçava a relembrar dos erros passados. E dos erros passageiros.

Queria estar em pé e sentir-se forte, entretanto, mal possuía energias para acordar disposta todas as manhãs. Não era necessário esforço para sentir-se sem saída, sua tarefa era manter-se viva e isso bastava. Incontáveis vezes fora enganada e iludida, milhares de vezes arrancada de si a sede de continuar. Largada em um lugar qualquer com ânsias e somente um objetivo: acabar com tudo com muita rapidez.

Largou o passado e riu do próprio destino, cansou de lutar pela própria sobrevivência.