Conturbações Alucinógenas

Talvez fosse mais fácil perdoar quem não amas, talvez a alegria maior seja exatamente aquela que não é possível viver e talvez, só talvez, consiga sobreviver.

Vivi vidas passadas e ingeri alucinógenos, transformei meu corpo em escudo e petrifiquei meu coração, não intencionei quaisquer envolvimentos com as pessoas a quem me dispus, não sonhei além da realidade.

A cada perda, um novo conhecimento e mais rígido tornou-se o escudo. Menti para mim mesma que era capaz de acreditar em um amor que nunca existiu. Perda de tempo. E no brilho de um único olhar, relembrei todas as coisas que aos poucos fui afastando da minha vida. Não precisava mais mentir, era real, verdadeiro e intenso.

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Ela não vai aparecer. Sabe-se lá o que faz ou pensa neste momento, mas não vai aparecer. Perdida num caminho que leva e trás recordações, enlouqueço nas minhas alucinações exorbitantes. Procuro a fuga, mas há algum modo de livrar-se dos próprios pensamentos? Estou presa dentro de mim, uma piada.

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O que estou esperando afinal? Viro para trás cada vez que seco os olhos, meus lábios racharam com o salgado das lágrimas e meus suspiros tropeçam uns nos outros buscando desesperados um pouco de ar para meus pulmões. O sol queima meu rosto, mas é extremamente frio dentro de mim. E não paro de procurar, terei pesadelos esta noite. Incessantemente busco em vão teu olhar entre tantos que me miram. Enquanto os minutos se arrastam, a esperança aos poucos vai embora. Vencida pelo fracasso, sem forças já, olho para trás uma e outra vez mais dando adeus à quem nunca apareceu.

Cadeado

Não sinto ciúmes, não sinto saudade, não sinto desejo, não sinto angústia, não sinto nada.

Dei as costas para o amor que um dia me fizestes sentir, lacrei meu coração para que ninguém mais o visse, fechei as portas.
Caminhava tranquila pelo centro de Porto Alegre, sozinha com meus pensamentos, mergulhada nos meus sonhos, então te vi.
Uma Tsunami de sentimentos que me atordoam.. tudo de volta, mas eu havia esquecido!
Jurei nunca mais te ver, jurei não lembrar de tudo que vivemos, até descobrir que juras de nada valem quando certa pessoa ainda está viva dentro de ti.
Não chegastes a me ver, com os olhos focados em teus cabelos e no teu andar, rezei para que não olhasse para o lado. Não tinha medo que me visse e sim que fingisse não ver. Não poderia suportar o desprezo do teu olhar.
Talvez tenhas sentido meus olhos em ti, o sorriso confuso, não sei ainda se de tristeza ou felicidade. Virou-se, e aquela banca de revistas foi meu esconderijo.
Corri para longe, à procura de um lugar seguro, longe de ti e toda vontade que tive de te abraçar.
Infelizmente, não pude correr de mim mesma e agora procuro outro cadeado para meu coração, maior e mais forte.