Tempos

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Saudade que arde no fundo do peito tão intensa e sombria, tão tua, tão somente minha.
Palhaçadas, histórias estranhas de pessoas carentes, um tiro no escuro, uma vida selvagem.
Saudade.
O coração de gelo derretendo pelo olhar de alguém que não mais o quer.
A rosa que não morre, um feitiço, maldição de um ser perdido.
Do que derrete na boca, a saudade, daquilo que se aloja nos pensamentos e não pode ser encontrado.
A cauda do pavão, azul e cintilante, as unhas coloridas, o All Star sujo, a gritaria do bis.
O barulho da chuva, do flash da fotografia, um filme infantil.
O poema que condena, a poesia que afaga, a bola de gude, um copo de leite.
Saudade.
Saudade dos jacarés, do encanto do ilusionismo, das bênçãos dos bisavós.
O pão no forno, o quente da lareira, o pior está para chegar.
Acordar com o silêncio, investir na alegria de amigos, o sonho de astronauta.
Saudade do que faz falta e do que não faz, de tempos vividos, esquecidos, que não podem voltar atrás.

Posso tu-do!

Posso ser madura se tu quiseres, posso ser ser infantil, ser engraçada ou séria no momento que preferir. Posso parecer idiota ou até mesmo ser idiota, posso fingir me importar com os outros e posso deixar de me importar. Posso cantar tuas músicas favoritas e as que não souber, posso aprender. Posso correr atrás de ti, mas não posso te deixar, isso não! Posso saltar do lugar mais alto, posso rastejar e também escalar montanhas. Posso escrever uma carta ou um bilhetinho. Posso fazer o jantar, o almoço ou apenas um lanche pra hora do intervalo. Posso ficar muda ao teu lado querendo dizer milhares de coisas e posso também falar sem parar sem saber o que estou dizendo. Posso não dormir pra te cuidar a noite toda ou dormir agarrada em ti e posso ainda acordar cedo somente pra ser teu despertador.
Posso comer coisas que não gosto só pra te acompanhar. Posso viajar pro Egito ou ficar em casa, se estiver ao teu lado, não tem importância de pra onde vou ou onde vou ficar. Posso arder de ciúmes e quase explodir, ou posso arder de ciúmes e fingir não sentir nada, uma coisa é certa: sempre vou arder de ciúmes. Posso pintar o cabelo da cor que tu preferir, mudar o corte, pintar as unhas e até usar salto, ficar linda somente pra ti. Posso usar carro, ônibus ou moto, qualquer tipo de condução pra ir ao teu encontro. Posso ser teu filme favorito, o livro que tu mais gostas de ler, a fotografia mais bonita e a escultura mais enigmática. Posso ser o abraço mais seguro, o beijo mais intenso e o sorriso mais alegre, o suspiro mais sincero, a lembrança mais terna e a saudade mais dolorosa. Posso ser tudo que quiseres desde que me digas. Conte-me tuas necessidades e revela-me teus segredos, assim, perfeita serei. Apenas pra ti.

Encontro esperado

Aqueles minutos não passavam. Incansáveis, incontáveis. Como grãos de areia em uma ampulheta. Queria vê-la, tocá-la, sentir novamente  o cheiro delicado de seus cabelos.
Irritava-se cada vez que olhava o relógio, então decidia não mais olhar, mas não conseguia e lá ia irritar-se novamente.
Não faziam muitos dias que a tinha visto, entretanto, cada hora era eterna longe dela. Tão inversamente proporcional com relação ao tempo em que ela encontrava-se em seus braços. Parecia constantemente em preocupação, pensava em milhares de hipóteses que poderiam acabar com seus planos, ainda assim, a esperança era maior e a saudade imensurável.
Escrevia e treinava o que dizer, mas ao deparar-se com aquele olhar, perdia os sentidos e esquecia tudo. E na tentativa frustrante de lembrar, gaguejava enquanto sua voz aos poucos desaparecia.
O dia lentamente passara e finalmente chegara a hora. Nada mais importava, ninguém mais existia. Ia encontrá-la.