Decidi Caminhar

DecidiCaminhar_05022014

É estranho caminhar, sentir a “não-necessidade” das rodas, ou sentir a necessidade de sentir necessidade das mesmas, como cada um preferir.
O sol esquenta meus cabelos, tórax e ombros e só ao sentir-me queimar, lembro que esqueci o protetor solar.
O suor escorrendo por minhas têmporas e pescoço e costas faz-me desejar violentamente o banho mais gelado que a água tem a me oferecer.
Pessoas me olham com aflição sem entender o motivo de papel e caneta nas mãos, mochila nas costas e respiração ofegante (“Estou indo trabalhar!” – Penso). Que necessidade teria eu de aventurar-me desta forma senão para testar mais um dos meus limites?
A escrita diminui meu passo e me tira atenção de perigos evidentes.
Sombra! Preciso parar. 1 minuto é suficiente, tenho horário. Odeio horários porque sou movida por eles e detesto depender de alguma coisa, seja o que for.
A vontade de esticar o braço e pedir carona é inevitável, mas não vou desistir no meio do caminho, é claro que não, meu corpo vai aguentar.
Estou sem escrever há algum tempo, passei pela igreja que era meu ponto de referência para “estou perto de onde devo chegar”. Era! Até vir a pé.
Finalmente um pouco de vento, mas é por água que meu corpo está sedento. Vejo meu destino! Tento sorrir, mas isto também seria um esforço, então desisto.
O sol está quase à pino, enfim cheguei, preciso de água, preciso de sombra e preciso de um ponto.

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Libertad!

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Ah! Eu quero sair, quero o sol que está tapado pela cortina, quero o dia que estou perdendo, a vida que perco todo tempo. Chega de falatório, o café já não me adianta mais, a voz desconhecida falando alto ao público e menos da metade presta atenção, não sei se pelo horário ou a comum paixão (ou vício) pela tecnologia. Eu presto atenção no sol.
A sala é fria e escura e slides são sinônimos de monotonia. Tédio coletivo.
Meus cabelos brilham mais e meu rosto está quente, o assento confortável me agonia, tão bom que  transformo-o em cama e durmo em estado de alerta. A voz está longe agora e minha orelha esfria na parede branca até o silêncio momentâneo me despertar, estava quase me aprofundando em meus sonhos.
Abro outro canto da cortina, não há quase ninguém na rua, estamos todos presos, sufocados pela luz artificial.
Cochichos! Se fosse eu apontando slides, não me importaria que dormissem, mas os cochichos…
Gostaria de levantar agora, espreguiçar-me e talvez comer um pedaço de morango, mesmo que fora de estação.
Um pé balança, uma mão segura um copo de café, unhas são roídas, uma garrafa d’água é aberta, uma barba é coçada, os cochichos continuam.
Me gusta la libertad! A voz desconhecida já tornou-se amigável e isso me assuta, se não posso sair, tenho que me contentar com o assento confortável?
Na verdade posso ir embora, mas respeito, o sol sairá amanhã e amanhã é sábado! E olho os slides, o assunto é interessante, quero conhecê-lo e presto atenção, mas a vontade de estar lá fora.. ah, essa vontade  é maior que tudo.